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segunda-feira, 19 de março de 2018

À exuberância da memória

Quando iniciamos o projeto "Memória Marataízes", há quatro anos, tínhamos a companhia de uma pequena ambição: reunir memórias, mesmo que esparsas, sobre nosso lugar. Conseguimos mais que isso. Aos poucos, mais pessoas foram chegando e compartilhando suas memórias entre si. Registramos algumas lembranças que corriam o risco de se perder. Tivemos a honra restabelecer contato entre velhos amigos com lembranças - algumas hilárias - em comum.

Em que pese o histórico descaso e a ignorância às vezes deliberada sobre aquilo que é "velho", "ultrapassado", não esmorecemos. Sabemos que o resgate, a preservação, a valorização e a divulgação dessas memórias são fundamentais para uma sociedade adoecida, cada vez mais desorientada em meio ao bombardeio pós-moderno e seu o apelo à velocidade e à novidade. O apelo àquilo que é efêmero e artificial tornou-se um concorrente desleal, um assassino de memórias.

Nesse sentido, ainda que aparentemente desconexas, as memórias têm um fio condutor que contribui para construir a identidade local. Por sua vez, manter a identidade, em nosso entender, é condição sem a qual não se pode falar em desenvolvimento sustentável.

Modestamente, assim tentamos cumprir a nossa função social, apesar de algumas dificuldades, que são naturais a um trabalho voluntário e sem qualquer tipo de financiamento (aliás, com algumas despesas). Somos um esforço, tímido, que também deseja lançar luz sobre a necessidade contínua de se fazer algo mais para a memória, a cultura e a história de Marataízes.

Entramos em nosso quinto ano de existência na confiança de que não estamos sozinhos. O carinho que percebemos nas memórias compartilhadas nos trazem essa certeza. A "Memória Marataízes" segue sua jornada.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O passado e o descaso


Quem visitasse a região portuária da Barra do Itapemirim no ano de 2007 teria essa visão. Em nada remete a riqueza trazida na intensidade do movimento de barcos e balsas carregadas de café, açúcar, milho, madeira, entre outros produtos, em fins do século XIX e início do XX. Desse tempo, até então, apenas a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes tinha sobrevivido sem maiores traumas. O Trapiche e o Solar dos Soares, o "Palácio das Águias", acusaram o golpe da ausência de investimentos no porto e da adoção de outras vias para o escoamento dos gêneros agrícolas do sul capixaba. O ostracismo ao qual essa área foi submetida durante décadas ofuscou em parte a grandiosa história do local, ainda por ser contada plenamente.

Foto compartilhada por Victor de Moura.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

2 de fevereiro

Uma relíquia!

Filmada por Zilmar Geaquinto Filho (Baíco) em Super-8, a procissão em homenagem a Nossa Senhora dos Navegantes, traz detalhes impressionantes da Barra do Itapemirim e do Pontal no ano de 1976. Como podemos ver nos créditos do vídeo, trata-se do registro em vídeo mais antigo de uma manifestação religiosa em Marataízes.



É possível observar a foz do Itapemirim ainda sem a ponte ligando a Barra ao Pontal. Também vemos a tradicional colônia de pescadores com poucas casas e alguns dos seus barcos participando da procissão. Devotos da Barra do Itapemirim, talvez mais numerosos, carregam a imagem de Nossa Senhora da Igreja que leva o seu nome. Ainda de pé, o Trapiche se mostra imponente. À sua frente, o Palácio das Águias em sua forma original, opulento.

O destaque maior, contudo, apesar da grande beleza do cenário, é a manifestação de fé do homem maratimba. A devoção dos católicos locais a Nossa Senhora dos Navegantes - cujas raízes históricas, nos levam ao século XIX, com a edificação da Igreja a partir de uma promessa do comerciante português Simão Rodrigues Soares - emociona mais de quarenta anos depois do registro acima.

terça-feira, 22 de março de 2016

Aula de campo leva alunos à História da Barra do Itapemirim

Uma viagem às nossas origens. Alunos da EMEF José Marcelino embarcaram recentemente em um roteiro que ajuda a contar boa parte da história do nosso lugar. Guiados pela professora de História Laryssa Machado e por Luiz Alberto Valdo, que leciona Geografia, os estudantes conferiram alguns prédios históricos, como a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, o Palácio das Águias e as ruínas do Trapiche.

Professores e alunos em ação: conhecimento e valorização da História de Marataízes

Outro ponto da visitação foi a foz do Rio Itapemirim. Os alunos viram de perto as características do estuário. Do ponto de vista histórico, o destaque ficou por conta do porto da Barra, cuja importância para o desenvolvimento local, a partir da segunda metade do século XIX, é indiscutível. Números da "Mesa de Rendas" da Vila do Itapemirim, entre as décadas de 1870 e 1880, apontam que a arrecadação a partir dos impostos sobre exportação de produtos primários, com destaque ao café, era semelhante à registrada na capital da então Província do Espírito Santo.

Os estudantes estiveram ainda na Casa Freire. Datada de 1928, a construção se destaca por aquilo que deveria ser uma regra para os imóveis de interesse de preservação histórica e cultural: a sua conservação. O imóvel, situado à Rua Capitão Miguel Sad, foi um importante estabelecimento comercial da Barra.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Pausa para o descanso

Músicos descansam à sombra na Barra do Itapemirim de fevereiro de 1979. Eles se preparavam para as comemorações do dia de Nossa Senhora dos Navegantes.


Na foto de José Sérgio Xavier Aride ainda conseguimos ver, ao fundo, o Itapemirim e parte do Pontal.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Paz e riqueza

Crianças observam o movimento no porto da Barra do Itapemirim ao lado do Trapiche dos Soares. As mercadorias estocadas no Trapiche eram acomodadas nas pequenas embarcações vistas na imagem que, por sua vez, levavam os produtos até os navios maiores ancorados na "boca da Barra".


Sem referência de data, a foto foi compartilhada na rede por Carlos Benevides Lima Junior.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Rio...

Visto do Pontal, o majestoso (e aqui caudaloso) Itapemirim correndo em direção à sua barra no início dos anos 2000.


A foto é do acervo de "O Jornal".

terça-feira, 14 de julho de 2015

Pedro II anotou: "o espigão é a solução"!

Em vídeo produzido por Julio Tigre e Gabriel Borem como parte do projeto "Nó5", o Professor e Historiador Luciano Retore Moreno nos conta uma breve história da Barra do Itapemirim e seu "espigão". A obra foi indicada pelo imperador D. Pedro II que, em visita ao Espírito Santo, em 1860, indicou que a construção dessa espécie de quebra-mar poderia ser a solução para o calado do Itapemirim em sua foz.
O ilustre historiador muquiense Levy Rocha trata com grande detalhamento os dias do imperador na então província do Espírito Santo. Clique aqui para acessar na íntegra a terceira edição da obra "Viagem de Pedro II ao Espírito Santo" no endereço eletrônico do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo.


O problema é historicamente apontado como um dos grandes entraves ao desenvolvimento da navegação de cabotagem em nosso porto. Concluída ao longo da década de 1960, aproximadamente cem anos após a passagem de Pedro II, a obra não atingiu seu intento inicial. Contudo, em que pesem diversos impactos ambientais, o "espigão" serviu para que moradores e turistas tivessem acesso à Ilha de Taputera, um dos destinos mais belos do nosso litoral.

Agradecemos a colaboração de Zulmira Fontes.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Pontal, Barra e tudo o mais



Apesar de a resolução não ser das melhores, consideramos esta imagem fantástica! Ela nos traz uma vista panorâmica de toda a área urbana de Marataízes nos primeiros anos do século XX. Conseguimos ver um adensamento populacional maior apenas na Barra do Itapemirim e na parte do Pontal que aparece na fotografia, mostrando a importância dessas comunidades para a formação do atual município de Marataízes.

O registro chegou ao nosso conhecimento através do antigo site "Marataizes,tur", que prestou grandes serviços para o turismo de nosso município enquanto esteve no ar.