Quando iniciamos o projeto "Memória Marataízes", há quatro anos, tínhamos a companhia de uma pequena ambição: reunir memórias, mesmo que esparsas, sobre nosso lugar. Conseguimos mais que isso. Aos poucos, mais pessoas foram chegando e compartilhando suas memórias entre si. Registramos algumas lembranças que corriam o risco de se perder. Tivemos a honra restabelecer contato entre velhos amigos com lembranças - algumas hilárias - em comum.
Em que pese o histórico descaso e a ignorância às vezes deliberada sobre aquilo que é "velho", "ultrapassado", não esmorecemos. Sabemos que o resgate, a preservação, a valorização e a divulgação dessas memórias são fundamentais para uma sociedade adoecida, cada vez mais desorientada em meio ao bombardeio pós-moderno e seu o apelo à velocidade e à novidade. O apelo àquilo que é efêmero e artificial tornou-se um concorrente desleal, um assassino de memórias.
Nesse sentido, ainda que aparentemente desconexas, as memórias têm um fio condutor que contribui para construir a identidade local. Por sua vez, manter a identidade, em nosso entender, é condição sem a qual não se pode falar em desenvolvimento sustentável.
Modestamente, assim tentamos cumprir a nossa função social, apesar de algumas dificuldades, que são naturais a um trabalho voluntário e sem qualquer tipo de financiamento (aliás, com algumas despesas). Somos um esforço, tímido, que também deseja lançar luz sobre a necessidade contínua de se fazer algo mais para a memória, a cultura e a história de Marataízes.
Entramos em nosso quinto ano de existência na confiança de que não estamos sozinhos. O carinho que percebemos nas memórias compartilhadas nos trazem essa certeza. A "Memória Marataízes" segue sua jornada.
Mostrando postagens com marcador Trapiche. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trapiche. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 19 de março de 2018
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Tão distante...
Anos 2000 e o Trapiche ainda conservava parte da fachada frontal. Se uma restauração talvez não seja viável tecnicamente, o imóvel ainda aguarda uma solução que preserve minimamente suas características arquitetônicas, além de conferir destaque à sua importância histórica para nosso município.
Foto publicada no site Morro do Moreno.
Foto publicada no site Morro do Moreno.
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Há ruína
Imagem compartilhada pelo Professor João Eurípides Franklin Leal nos traz o Trapiche, já em ruínas, em meados da década de 1970.
Não somos adeptos ao "se" na História. É inútil debruçar sobre aquilo que deveria ter sido feito - e, se deveria, não foi feito. A não ser para escancarar a omissão compartilhada de décadas a respeito da situação prédio. A imagem, contudo, deixa clara a oportunidade desperdiçada de termos, hoje, um conjunto arquitetônico belíssimo preservado de modo quase integral na região portuária da Barra do Itapemirim.
Cabe-nos, então, lamentar, em que pesem as cíclicas promessas de restauração (sic) do imóvel. Mantemos a defesa da preservação das ruínas, com limpeza, sinalização e iluminação, bem como conferindo o devido (leia-se com o respeito às orientações estritamente técnicas) cuidado com o seu entorno, evitando intervenções desastradas que debilitem ainda mais o que resta, hoje apenas uma das paredes laterais e algumas colunas no interior do terreno.
Não somos adeptos ao "se" na História. É inútil debruçar sobre aquilo que deveria ter sido feito - e, se deveria, não foi feito. A não ser para escancarar a omissão compartilhada de décadas a respeito da situação prédio. A imagem, contudo, deixa clara a oportunidade desperdiçada de termos, hoje, um conjunto arquitetônico belíssimo preservado de modo quase integral na região portuária da Barra do Itapemirim.
Cabe-nos, então, lamentar, em que pesem as cíclicas promessas de restauração (sic) do imóvel. Mantemos a defesa da preservação das ruínas, com limpeza, sinalização e iluminação, bem como conferindo o devido (leia-se com o respeito às orientações estritamente técnicas) cuidado com o seu entorno, evitando intervenções desastradas que debilitem ainda mais o que resta, hoje apenas uma das paredes laterais e algumas colunas no interior do terreno.
quarta-feira, 26 de julho de 2017
A força do café
O registro abaixo mostra a primeira página da demonstração da receita e da despesa do município de Itapemirim durante o mês de março de 1893. Parte do "Fundo Fazenda", depositado no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, o documento é datado de abril daquele ano e deixa evidente a importância dos impostos cobrados sobre a exportação do café para o município. Do total de tributos arrecadados, mais de 95% estava diretamente relacionado ao comércio do grão pelo porto da Barra do Itapemirim.
É razoável inferir, portanto, que a extrema dependência do café para as finanças municipais foi crucial para a decadência econômica da região na medida em que, a partir dos governos republicanos, a capital capixaba recebia maiores investimentos em melhorias na infraestrutura logística para a exportação, retirando o protagonismo do porto da Barra do Itapemirim.
Da mesma forma, é aceitável a conclusão de que, ainda em 1893, apesar das inúmeras dificuldades operacionais no porto da Barra, era intensa movimentação de grandes navios cargueiros na chamada "Boca da Barra" (ponto de ancoragem possível dado o baixíssimo calado nas margens mais próximas ao Trapiche dos Soares). Geralmente, as embarcações vinham de Salvador e do Rio de Janeiro para carregar seus porões com o café produzido na região sul capixaba e no norte da zona da mata mineira.
O documento foi compartilhado por Victor de Moura.
Marcadores:
1893,
APEES,
Arquivo Público do Estado do Espírito Santo,
Barra do Itapemirim,
Café,
Exportações,
História,
História Econômica,
Itapemirim,
Pesquisa,
Porto,
República,
Século XIX,
Trapiche
sexta-feira, 21 de julho de 2017
O passado e o descaso
Quem visitasse a região portuária da Barra do Itapemirim no ano de 2007 teria essa visão. Em nada remete a riqueza trazida na intensidade do movimento de barcos e balsas carregadas de café, açúcar, milho, madeira, entre outros produtos, em fins do século XIX e início do XX. Desse tempo, até então, apenas a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes tinha sobrevivido sem maiores traumas. O Trapiche e o Solar dos Soares, o "Palácio das Águias", acusaram o golpe da ausência de investimentos no porto e da adoção de outras vias para o escoamento dos gêneros agrícolas do sul capixaba. O ostracismo ao qual essa área foi submetida durante décadas ofuscou em parte a grandiosa história do local, ainda por ser contada plenamente.
Foto compartilhada por Victor de Moura.
terça-feira, 21 de março de 2017
Esperando na estação
A imagem abaixo foi publicada originalmente no antigo portal "Marataizes.tur", responsável por registrar o passado e divulgar as belezas do nosso município.
Trata-se da estação da Estrada de Ferro Itapemirim localizada na Barra do Itapemirim, próximo ao Trapiche e ao Porto. A fotografia dada dos anos 40 do último século e, apesar da baixa resolução, é possível ver algumas pessoas aglomeradas ao redor da locomotiva, retratando o dinamismo social e econômico trazido pela linha férrea.
Trata-se da estação da Estrada de Ferro Itapemirim localizada na Barra do Itapemirim, próximo ao Trapiche e ao Porto. A fotografia dada dos anos 40 do último século e, apesar da baixa resolução, é possível ver algumas pessoas aglomeradas ao redor da locomotiva, retratando o dinamismo social e econômico trazido pela linha férrea.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
De lá pra cá
Voltamos a fevereiro de 1983. Estamos na região do porto da Barra do Itapemirim. Vemos o mercado de peixes, as ruínas do Trapiche, o bar de madeira ao lado e uma estrutura de alvenaria no canto direito da imagem. Alguns homens no bar e outros sentados, além de uma bicicleta com uma caixa comumente usada por pescadores amarrada à garupeira também podem ser notados. Reparamos, ainda, na propaganda política pintada na parede branca.
A fotografia pertence ao acervo de Joel Pinto e foi compartilhada na rede por Sergio Neves.
A fotografia pertence ao acervo de Joel Pinto e foi compartilhada na rede por Sergio Neves.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Memórias na tela
A Claudia Marinuzzi resolveu reproduzir na tela as suas memórias da região do porto da Barra do Itapemirim. O resultado é belíssimo!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Origens
Panorâmica da Barra do Itapemirim em seu núcleo original.
Na fotografia, provavelmente datada da década de 1920, vemos a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, no alto, em destaque, o Trapiche e o solar dos Soares, conhecido como Palácio das Águias, bem como outras construções e alguns vagões da Estrada de Ferro Itapemirim.
Registro compartilhado na rede por José Sérgio Xavier Aride.
Marcadores:
Barra do Itapemirim,
EFI,
Estrada de Ferro Itapemirim,
Igreja,
Nossa Senhora dos Navegantes,
Palácio das Águias,
Porto,
Trapiche
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Uma vista parcial muito especial
Barra do Itapemirim e Cidade Nova vistas do alto no ano de 2001.
A foto tem autoria desconhecida e é bastante divulgada na rede.
A foto tem autoria desconhecida e é bastante divulgada na rede.
Marcadores:
Anos 2000,
Barra do Itapemirim,
Cidade Nova,
Igreja,
Nossa Senhora dos Navegantes,
Palácio das Águias,
Porto,
Rio Itapemirim,
Trapiche
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Movimento!
Homens trabalhando na região portuária da Barra do Itapemirim.
Provavelmente registrada nos anos 40 do último século, a fotografia foi compartilhada na rede pelo saudoso site Marataizes.Tur.
Provavelmente registrada nos anos 40 do último século, a fotografia foi compartilhada na rede pelo saudoso site Marataizes.Tur.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Paz e riqueza
Crianças observam o movimento no porto da Barra do Itapemirim ao lado do Trapiche dos Soares. As mercadorias estocadas no Trapiche eram acomodadas nas pequenas embarcações vistas na imagem que, por sua vez, levavam os produtos até os navios maiores ancorados na "boca da Barra".
Sem referência de data, a foto foi compartilhada na rede por Carlos Benevides Lima Junior.
Sem referência de data, a foto foi compartilhada na rede por Carlos Benevides Lima Junior.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Tempos de prosperidade
A região do porto da Barra do Itapemirim nas primeiras décadas do século XX, época ainda de grande pujança econômica no "Baixo Itapemirim".
Provavelmente registrada de uma das torres da Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, a imagem - que retrata, além do Trapiche dos Soares, o Trapiche do Sr. Arsênio Evangelista (ao fundo) e a Sagróleo (prédio atrás do trem), que posteriormente abrigou a Only Conservas de Frutas, segundo informações de Ivilisi Soares de Azevedo - chegou ao nosso conhecimento a partir de postagem de José Luiz Pizzol.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Imprensa repercute apelo da população por recuperação do Trapiche
![]() |
| Foto: Reprodução / Google Maps - Via Folha Vitória |
Leia a matéria completa aqui.
Com o desabamento, ocorrido logo após uma tentativa de contenção realizada pela prefeitura, apenas uma das paredes laterais das ruínas ainda resiste. De acordo com texto, assinado por Lenilce Pontini, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) tem orientado as intervenções com o objetivo de recuperar o Trapiche. O texto informa ainda que a prefeitura contratará uma engenheira para elaborar um projeto definitivo que contemple a preservação ou reconstrução do imóvel (Nota da Memória Marataízes: não se sabe ao certo qual a ideia para o Trapiche: preservar o que ainda existe ou reconstruí-lo?).
Herdeira da família que adquiriu o Trapiche na segunda metade do século XIX, época de grande pujança da economia local, a psicóloga Ivilisi Soares de Azevedo lançou um apelo pela preservação do imóvel.
"Enquanto essa parede que sobrou resistir, resistirá também a minha esperança de que as autoridades competentes façam algo pelo maior patrimônio histórico do nosso município", desabafa.
Apesar de algumas imprecisões, em especial sobre a data de construção da Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, a matéria traça um roteiro completo dos patrimônios existentes na região portuária da Barra do Itapemirim que ajudam a contar a história da região.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
terça-feira, 14 de julho de 2015
Pedro II anotou: "o espigão é a solução"!
Em vídeo produzido por Julio Tigre e Gabriel Borem como parte do projeto "Nó5", o Professor e Historiador Luciano Retore Moreno nos conta uma breve história da Barra do Itapemirim e seu "espigão". A obra foi indicada pelo imperador D. Pedro II que, em visita ao Espírito Santo, em 1860, indicou que a construção dessa espécie de quebra-mar poderia ser a solução para o calado do Itapemirim em sua foz.
O ilustre historiador muquiense Levy Rocha trata com grande detalhamento os dias do imperador na então província do Espírito Santo. Clique aqui para acessar na íntegra a terceira edição da obra "Viagem de Pedro II ao Espírito Santo" no endereço eletrônico do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo.
O problema é historicamente apontado como um dos grandes entraves ao desenvolvimento da navegação de cabotagem em nosso porto. Concluída ao longo da década de 1960, aproximadamente cem anos após a passagem de Pedro II, a obra não atingiu seu intento inicial. Contudo, em que pesem diversos impactos ambientais, o "espigão" serviu para que moradores e turistas tivessem acesso à Ilha de Taputera, um dos destinos mais belos do nosso litoral.
Agradecemos a colaboração de Zulmira Fontes.
Marcadores:
Barão de Itapemirim,
Barra do Itapemirim,
Cabotagem,
D. Pedro II,
Levy Rocha,
Palácio das Águias,
Porto,
Rio Itapemirim,
Simão Soares,
Trapiche
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Do que restou
Parte das ruínas do Trapiche que ainda resiste à ação do tempo e do Homem.
Registro de Lúcia Helena Simões Poubel.
domingo, 24 de maio de 2015
Trapiche: um quase epitáfio nada passional
Editorial
![]() |
| Fachada principal do Trapiche desabou na madrugada de hoje
Foto:Rubens Borges
|
Seis de maio último. Publicávamos aqui um texto com o título “O iminente e indesejável ‘tombamento’”, repercutindo matéria da TV Gazeta Sul sobre o risco representado pelas ruínas do Trapiche, na Barra do Itapemirim. Os restos da construção estavam em vias de desmoronar, podendo causar um acidente de graves proporções. Na ocasião, representantes da administração municipal estiveram no local para executar uma intervenção com o objetivo de conter a parede frontal do edifício.
Aos fatos, então: a tal contenção foi realizada. Em que pesem as boas intenções, hoje sabemos, a ação foi infrutífera. O que restava da fachada do Trapiche desabou nas primeiras horas deste domingo (24) e, felizmente, ninguém ficou ferido (ao menos fisicamente). O imóvel havia sido tombado pelo Conselho Estadual de Cultura desde 1998 (a Resolução 01/98 - CEC foi publicada no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo em 17 de abril daquele ano). De lá para cá apenas promessas, discursos e nenhum projeto executivo visando à restauração - ou mesmo uma reforma - com cronograma estabelecido, nada de palpável como o que vimos com o “Palácio das Águias”, tombado através da mesma resolução, que, em 2010, foi entregue pelo Governo do Estado à sociedade para servir de abrigo à Biblioteca Municipal.
Tristeza, claro. Lamentações, muitas. Todas justificáveis, absolutamente compreensíveis. Contudo, entendemos ser inútil abrir uma “caça às bruxas” para crucificar os eventuais culpados pelo crime. Que eles durmam com o moribundo, afinal “Inês é (quase) morta”. Interessa-nos o “day after”, melhor, o “now”. Permiso, Drummond: e agora, Josés?
Fato é que, metaforicamente, a queda da fachada principal do Trapiche simboliza que sucumbimos à doença da sociedade do efêmero, do descartável, que despreza - muito pelo desconhecimento - seu passado e, por conseguinte, dá de ombros para seu patrimônio. E, reparem, falamos aqui apenas da faceta edificada deste patrimônio. Ao contrário das inúmeras iniciativas voltadas para o hoje, sabíamos há muito da tragédia que se abateria sobre o Trapiche, mas não poderíamos adivinhar a data do evento, nem se ele teria cobertura ao vivo por parte da imprensa.
É bom deixar claro que não vivemos num cemitério de ideias. Elas existem e, antes de serem rechaçadas de parte a parte, devem ser valorizadas e, mais importante, articuladas para que sejam colocadas em prática de forma estruturada e orgânica. A depender do caminho escolhido para nossa Cultura, o Trapiche poderá ser lembrado como uma espécie de mártir, aquele que, com sua longa estadia na UTI, parece querer nos avisar: “Acordem, cabrunco! Salvem a História e a memória de Marataízes”!
Assinar:
Postagens (Atom)


















