Quando iniciamos o projeto "Memória Marataízes", há quatro anos, tínhamos a companhia de uma pequena ambição: reunir memórias, mesmo que esparsas, sobre nosso lugar. Conseguimos mais que isso. Aos poucos, mais pessoas foram chegando e compartilhando suas memórias entre si. Registramos algumas lembranças que corriam o risco de se perder. Tivemos a honra restabelecer contato entre velhos amigos com lembranças - algumas hilárias - em comum.
Em que pese o histórico descaso e a ignorância às vezes deliberada sobre aquilo que é "velho", "ultrapassado", não esmorecemos. Sabemos que o resgate, a preservação, a valorização e a divulgação dessas memórias são fundamentais para uma sociedade adoecida, cada vez mais desorientada em meio ao bombardeio pós-moderno e seu o apelo à velocidade e à novidade. O apelo àquilo que é efêmero e artificial tornou-se um concorrente desleal, um assassino de memórias.
Nesse sentido, ainda que aparentemente desconexas, as memórias têm um fio condutor que contribui para construir a identidade local. Por sua vez, manter a identidade, em nosso entender, é condição sem a qual não se pode falar em desenvolvimento sustentável.
Modestamente, assim tentamos cumprir a nossa função social, apesar de algumas dificuldades, que são naturais a um trabalho voluntário e sem qualquer tipo de financiamento (aliás, com algumas despesas). Somos um esforço, tímido, que também deseja lançar luz sobre a necessidade contínua de se fazer algo mais para a memória, a cultura e a história de Marataízes.
Entramos em nosso quinto ano de existência na confiança de que não estamos sozinhos. O carinho que percebemos nas memórias compartilhadas nos trazem essa certeza. A "Memória Marataízes" segue sua jornada.
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segunda-feira, 19 de março de 2018
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
Memórias de família em Marataízes
As imagens a seguir são uma relíquia. Compartilhadas por Marco Vivacqua, o filme tem um pouco mais de 17 minutos de duração e registra, em cores, a Marataízes nos anos sessenta. Uma outra Marataízes, claro.
Ao assistir ao vídeo, mesmo para quem não viveu a época retratada, não é difícil compreender os motivos que provocaram e ainda provocam a paixão de muitos pela Praia Encantada. É possível sentir a paz do lugar em diversos momentos.
Vemos a família Vieira-Secchin-Vivacqua reunida. Crianças se divertindo com seus brinquedos de madeira, almoçando na varanda da - agora demolida - casa do sr. Átila Vivacqua e em animados banhos na Bacia das Turcas.
Logo em seu início, o filme mostra a Barra do Itapemirim e, do outro lado, a comunidade do Pontal, ainda com pouquíssimas casas. Em seguida, vemos uma rápida cena de carnaval. Também um outro carnaval, claro.
A antiga Igreja de Nossa Senhora da Penha, em sua forma original, merece um destaque especial. Posicionada estrategicamente de frente para a Praia Principal, ela recepciona maratimbas que regressam de mais um dia de trabalho enquanto guarda aquelas crianças que gastavam suas energias no mar. Chama a atenção, ainda, o famoso "vôlei" que existia na praça central.
Um paredão verde margeia toda a praia. Relativamente protegidas, as encostas - hoje temos de lembrança a "matinha" da avenida Domingos Martins - compunham o cenário junto das castanheiras.
Hábitos e costumes da época, como o comportamento geralmente envergonhado diante da câmera, os trajes de banho e, sobretudo, o convívio familiar dão o tom a este documento. Registros que nos fazem repensar os nossos dias e valores.
Desfrutem.
Ao assistir ao vídeo, mesmo para quem não viveu a época retratada, não é difícil compreender os motivos que provocaram e ainda provocam a paixão de muitos pela Praia Encantada. É possível sentir a paz do lugar em diversos momentos.
Vemos a família Vieira-Secchin-Vivacqua reunida. Crianças se divertindo com seus brinquedos de madeira, almoçando na varanda da - agora demolida - casa do sr. Átila Vivacqua e em animados banhos na Bacia das Turcas.
Logo em seu início, o filme mostra a Barra do Itapemirim e, do outro lado, a comunidade do Pontal, ainda com pouquíssimas casas. Em seguida, vemos uma rápida cena de carnaval. Também um outro carnaval, claro.
A antiga Igreja de Nossa Senhora da Penha, em sua forma original, merece um destaque especial. Posicionada estrategicamente de frente para a Praia Principal, ela recepciona maratimbas que regressam de mais um dia de trabalho enquanto guarda aquelas crianças que gastavam suas energias no mar. Chama a atenção, ainda, o famoso "vôlei" que existia na praça central.
Um paredão verde margeia toda a praia. Relativamente protegidas, as encostas - hoje temos de lembrança a "matinha" da avenida Domingos Martins - compunham o cenário junto das castanheiras.
Hábitos e costumes da época, como o comportamento geralmente envergonhado diante da câmera, os trajes de banho e, sobretudo, o convívio familiar dão o tom a este documento. Registros que nos fazem repensar os nossos dias e valores.
Desfrutem.
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domingo, 10 de dezembro de 2017
No clima
É uma atmosfera única e muito especial. São cenas que todo ano se repetem, invariavelmente. As casas de veraneio ganham os últimos retoques para receber os visitantes. Empreendedores sazonais e aqueles que "seguram o rojão" durante a "baixa temporada" também dão uma mão de tinta nas paredes e checam o estoque para abrirem as portas. Apesar dos pesares, dessa nuvem densa e depressiva que paira há muito sobre o país, nossa gente se esforça para sorrir à espera dos dias quentes, coloridos e felizes do verão. É aquele frenesi que se aproxima. Carros, pessoas, sons e um marcante cheiro de protetor solar e milho cozido pelo ar.
Saudosistas de um tempo que tem cadeira cativa na memória, sabemos que certos lugares e até mesmo muitos costumes não voltam. Foram engolidos pela ambição desvairada ou mesmo por algumas ações desastrosas, em que pesem as boas intenções, mas também pelo monstro pós-moderno, esse mesmo que não se preocupa com a posteridade, cujos valores estão presos ao instantâneo. O que vale é o agora e nada mais. O instante seguinte, não sabemos. A memória sobre tudo isso, muito menos. Mas, somos teimosos. Românticos, diriam alguns. Bobos, iludidos, quem sabe. Tudo bem, insistimos porque uma convicção nos acompanha: não preservar a memória é o mesmo que não preservar nosso lugar, nossas origens e aquilo que nos faz bem. E quem é que, em sã consciência, quer se sentir mal?
Lembramos dos momentos que, de alguma forma, nos fazem bem. Nossa missão é provocar suspiros - alguns doídos -, sorrisos, lágrimas de saudades e vontade de viver em felicidade. Ainda lembramos daquilo que tem potencial para nos ensinar, provocando a reflexão de forma a evitar a ocorrência das citadas ações desastrosas. Mas lembramos também que podemos colocar o pé no freio e resistir ao monstro. Quando ele chegar com a urgência e a sua fome por velocidade, que pensemos em prosear, em gargalhar, em cultivar o tête à tête. Em ficar nas calçadas com boas companhias, madrugar ao som de um violão e curtir a brisa única do nosso lugar. Teremos, então, novas memórias. Memórias maravilhosas de uma Marataízes que, sim, a um novo modo, pode ser cada vez mais queridas por todos.
Essa turma aí, posando em um "buggy", entre algumas pranchas de surf, guarda lembranças mágicas desse verão de 1986. Não há dúvida disso. E essa imagem nos coloca no clima. Vamos fazer um verão de grandes memórias!
Saudosistas de um tempo que tem cadeira cativa na memória, sabemos que certos lugares e até mesmo muitos costumes não voltam. Foram engolidos pela ambição desvairada ou mesmo por algumas ações desastrosas, em que pesem as boas intenções, mas também pelo monstro pós-moderno, esse mesmo que não se preocupa com a posteridade, cujos valores estão presos ao instantâneo. O que vale é o agora e nada mais. O instante seguinte, não sabemos. A memória sobre tudo isso, muito menos. Mas, somos teimosos. Românticos, diriam alguns. Bobos, iludidos, quem sabe. Tudo bem, insistimos porque uma convicção nos acompanha: não preservar a memória é o mesmo que não preservar nosso lugar, nossas origens e aquilo que nos faz bem. E quem é que, em sã consciência, quer se sentir mal?
Lembramos dos momentos que, de alguma forma, nos fazem bem. Nossa missão é provocar suspiros - alguns doídos -, sorrisos, lágrimas de saudades e vontade de viver em felicidade. Ainda lembramos daquilo que tem potencial para nos ensinar, provocando a reflexão de forma a evitar a ocorrência das citadas ações desastrosas. Mas lembramos também que podemos colocar o pé no freio e resistir ao monstro. Quando ele chegar com a urgência e a sua fome por velocidade, que pensemos em prosear, em gargalhar, em cultivar o tête à tête. Em ficar nas calçadas com boas companhias, madrugar ao som de um violão e curtir a brisa única do nosso lugar. Teremos, então, novas memórias. Memórias maravilhosas de uma Marataízes que, sim, a um novo modo, pode ser cada vez mais queridas por todos.
Essa turma aí, posando em um "buggy", entre algumas pranchas de surf, guarda lembranças mágicas desse verão de 1986. Não há dúvida disso. E essa imagem nos coloca no clima. Vamos fazer um verão de grandes memórias!
sábado, 29 de outubro de 2016
"Alfabeto memorável"
Um grupo de designers de Vitória criou um alfabeto diferente e, digamos, memorável. O programa "Em Movimento", da TV Gazeta, mostrou na edição deste sábado (29) os lugares de memória da Grande Vitória que podem substituir o alfabeto convencional para aqueles mais apaixonados pelos monumentos históricos, espaços culturais e belezas naturais.
Diversos elementos do cotidiano também compõem o alfabeto. A letra "T", por exemplo, é representada pelo Convento da Penha. Já o Palácio Anchieta substitui a letra "h", enquanto o "é" aparece com a "castanheira da praia" e os "surfistas" são homenageados com a letra "a" acompanhada do "til" ("ã").
Olhem como ficou a nossa assinatura com a fonte!
Mais de 80 caracteres compõe a fonte "Grande Vitorinha". A fonte pode ser acessada no site www.grandevitorinha.com.br , que oferece o download gratuito dos símbolos.
E aí, quais seriam os símbolos para compor um alfabeto genuíno de Marataízes?
Diversos elementos do cotidiano também compõem o alfabeto. A letra "T", por exemplo, é representada pelo Convento da Penha. Já o Palácio Anchieta substitui a letra "h", enquanto o "é" aparece com a "castanheira da praia" e os "surfistas" são homenageados com a letra "a" acompanhada do "til" ("ã").
Olhem como ficou a nossa assinatura com a fonte!
Mais de 80 caracteres compõe a fonte "Grande Vitorinha". A fonte pode ser acessada no site www.grandevitorinha.com.br , que oferece o download gratuito dos símbolos.
E aí, quais seriam os símbolos para compor um alfabeto genuíno de Marataízes?
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Sobre o adeus a ‘lugares de memória’
Pierre Nora estabelece uma condição para que determinado local seja chamado de “lugar de memória”. Para o historiador francês, a imaginação, seja ela individual ou coletiva, “o investe de uma aura simbólica”. Esse local, continua Nora, “só entra na categoria se for objeto de um ritual”. Numa tentativa de simplificar o conceito, podemos afirmar que os lugares de memória estão ligados à multiplicação de memórias particulares sobre um mesmo local, sendo este dono de um encantamento próprio, tornando-se uma referência.
Assim definimos o “Mickey”, tradicional casa de lanches do centro de Marataízes. Fundada no início dos anos oitenta, a lanchonete, caracterizada por sua estrutura em madeira, com portas “bang bang”, lembrando os “saloons” do velho oeste dos EUA, fez parte da vida de gerações de frequentadores do balneário. Sem margem para dúvidas, o Mickey marcou época ao lado de outras referências, como a padaria Paulos, as sorveterias Sal e Mel, Guri e Patinhas, o restaurante Gaivota e os já inexistentes Veleiros, Xodó, Boliche e Iate Clube.
Tomados pela surpresa, vimos a casinha do Mickey ser removida na manhã de ontem, segunda-feira, dia 24 de outubro de 2016. Os hóspedes do também tradicionalíssimo hotel Dona Balbina terão uma vizinhança diferente. Olharão para o outro lado da avenida com um aperto no peito. Não verão lá o famoso presépio que, a cada Natal, transformava o Mickey em um local de peregrinação. Não sentirão mais o perfume da indefectível e maravilhosa carne caseira.
Lá se vai mais um “lugar de memória”. Removeram os bancos, as madeiras, as portas bang bang, mas dificilmente removerão as memórias em torno daquele local das pessoas que viveram ou passaram por Marataízes nas últimas três décadas. Movidos por um “sebastianismo” que é só nosso, já esperamos saudosos pelo retorno do Mickey e de tantos outros “lugares de memória” que ajudaram a construir a Pérola Capixaba.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Relembrando Marathayzis
Marília Braga
Não me lembro a primeiro vez que fui a Marataízes, pois ainda não tinha nem um ano. Meu avô materno construiu uma das primeiras casas da praia, na beira do mar, onde hoje é uma extensão do Praia Hotel. Ele adorava dizer: "Marilia, aqui abunda a pita", e soltava uma gostosa gargalhada. Para mim era o Paraíso na Terra! Logo após o Natal, os cachoeirenses, os turistas e a "mineirada" começavam a chegar, e a estação de veraneio durava até depois do carnaval. De manhãzinha corríamos para a praia, quando dava fome era só entrar na casa, pegar um pedaço de pão ou uma banana dos cachos que ficavam pendurados na sala para a criançada (os macaquinhos) e voltar correndo para o mar. À tardinha, na varanda, competíamos para ver quem enxergava primeiro as velas coloridas dos barcos apontarem no alto mar. Quando atracavam, na frente da igrejinha, minha avó corria lá para barganhar com os pescadores os camarões, garoupas, peroás...
Quando morava fora do Brasil, nas horas tristes era só fechar os olhos e imaginar aqueles almoços maravilhosos com a família barulhenta em volta da mesa, saboreando os sururus catados na pedra pelo meu avô, as moquecas, os peroás recheados de farofa apimentada, assados com a pele no fogão à lenha, as melancias, os abacaxis suculentos, as manguinhas carlotinhas, as papas de milho... Lá fora os toque-toques dos tamancos de pau nas calçadas, comemoravam a libertação dos sapatos, e ao fundo o eterno som das ondas quebrando na praia...
Hoje, ao regressar a Marataízes, que tristeza: lá se foi a igrejinha, lá se foi a praia, a pedra que demarcava as marés, os barcos a vela, os cargueiros dos vendedores a cavalo... nossa casa na praia... meu avô, minha avó...
Como diz minha tia Vina: Marataízes deveria chamar "outra coisa", pois aquela não existe mais.
Não me lembro a primeiro vez que fui a Marataízes, pois ainda não tinha nem um ano. Meu avô materno construiu uma das primeiras casas da praia, na beira do mar, onde hoje é uma extensão do Praia Hotel. Ele adorava dizer: "Marilia, aqui abunda a pita", e soltava uma gostosa gargalhada. Para mim era o Paraíso na Terra! Logo após o Natal, os cachoeirenses, os turistas e a "mineirada" começavam a chegar, e a estação de veraneio durava até depois do carnaval. De manhãzinha corríamos para a praia, quando dava fome era só entrar na casa, pegar um pedaço de pão ou uma banana dos cachos que ficavam pendurados na sala para a criançada (os macaquinhos) e voltar correndo para o mar. À tardinha, na varanda, competíamos para ver quem enxergava primeiro as velas coloridas dos barcos apontarem no alto mar. Quando atracavam, na frente da igrejinha, minha avó corria lá para barganhar com os pescadores os camarões, garoupas, peroás...
Quando morava fora do Brasil, nas horas tristes era só fechar os olhos e imaginar aqueles almoços maravilhosos com a família barulhenta em volta da mesa, saboreando os sururus catados na pedra pelo meu avô, as moquecas, os peroás recheados de farofa apimentada, assados com a pele no fogão à lenha, as melancias, os abacaxis suculentos, as manguinhas carlotinhas, as papas de milho... Lá fora os toque-toques dos tamancos de pau nas calçadas, comemoravam a libertação dos sapatos, e ao fundo o eterno som das ondas quebrando na praia...
Hoje, ao regressar a Marataízes, que tristeza: lá se foi a igrejinha, lá se foi a praia, a pedra que demarcava as marés, os barcos a vela, os cargueiros dos vendedores a cavalo... nossa casa na praia... meu avô, minha avó...
Como diz minha tia Vina: Marataízes deveria chamar "outra coisa", pois aquela não existe mais.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
As memórias da Dinda
Um dos maiores pecados da historiografia local é negligenciar a importância da chamada "história oral". Quando nos falta a "documentação ortodoxa" (e ela nos falta muito!), reflexo da pouco cultivada cultura preservacionista manifestada na ausência de arquivos públicos - ou mesmo particulares - e centros de memória, a "história oral" tem ainda mais relevância.
Agradecemos a Rafaela Brites pelo vídeo e pelas menções à nossa "Memória Marataízes". Agradecemos muitíssimo a Dinda por compartilhar conosco as suas memórias!
Agradecemos a Rafaela Brites pelo vídeo e pelas menções à nossa "Memória Marataízes". Agradecemos muitíssimo a Dinda por compartilhar conosco as suas memórias!
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
"Cidade Natal"
Uma canção para falar da memória. "Cidade Natal", da banda paulistana Ludov, conta a história de alguém que retorna à sua cidade de origem bem mais velho, já na idade adulta, visitando lugares que marcaram a sua infância. A pessoa se pergunta sobre tais lugares, nos levando a entender que muitos deles não se encontram na mesma forma. A letra propõe a reflexão: assim como nós mudamos, os "lugares de memória" (voltaremos a esse assunto em outra ocasião) também mudam.
Ouçam!
A letra:
Ao mesmo tempo em que "Cidade Natal" nos transporta à nossa infância e juventude, provoca a convicção sobre uma necessidade: a de preservá-los, ainda que seja no campo imaterial, na memória.
Ouçam!
A letra:
Cidade Natal
Voltarei mais velho e só
Com uma câmera na mão
Como um estrangeiro a visitar
Minha infância
E num mapa ilustrado está
Cada descrição
Das memórias de um lugar
Escola, prédio, lago, ponte, lar
Avenida
De onde veio, pra onde foi?
Quem eu era e quem eu sou?
Quando há algo familiar
É só o vento
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Marataízes e suas memórias em destaque na imprensa
Um dos principais veículos da imprensa regional, o "Espírito Santo Notícias" destaca, em sua edição mais recente, os 18 anos de emancipação política de Marataízes. Entre artigos que nos levam a tempos saudosos e que propõem reflexões sobre os destinos do município, outros textos e imagens, o jornal garantiu espaço às nossas memórias. O trabalho do "Memória Marataízes" recebeu um belo tratamento por parte da publicação.
Os nossos agradecimentos ao jornal "Espírito Santo Notícias" pelo reconhecimento da importância das memórias individuais e coletivas sobre o nosso lugar!
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Memória: caminho entre o antes e o depois
Longe da profundidade exigida pelas discussões conceituais, pensamos ser suficiente a definição sobre memória do ilustre historiador francês Jacques Le Goff presente em seu clássico "História e Memória". Segundo o estudioso, "a memória é a propriedade de conservar certas informações, propriedade que se refere a um conjunto de funções psíquicas que permite ao indivíduo atualizar impressões ou informações passadas, ou reinterpretadas como passadas".
Ousamos em nossa proposta compilar memórias. Esta é a intenção maior do projeto "Memória Marataízes", nascido de forma despretensiosa em março do ano passado em uma rede social: articular diferentes memórias, independentemente das motivações para sua existência, da época a que ela remete, das pessoas envolvidas, enfim, a preocupação é tão somente entender e desvendar impressões individuais e sociais que digam respeito a Marataízes.
E o que exatamente motivou o projeto? Para resumir, a carência. Em que pesem esforços no sentido de manter de pé parte do patrimônio material do município, especialmente no lugar em que a teima faz com que insistamos chamar de "sítio histórico" da Barra do Itapemirim (excetuando o Trapiche e o casario antigo, que merecem atenção), vemos se perder o lado imaterial, que se situa muitas das vezes no campo do intangível. Daí diagnosticamos a dita carência e a necessidade de oferecer, mínima que seja, uma contribuição para preservar parcela das memórias, mesmo sob a contínua ameaça do monstro da efemeridade que habita esses meios virtuais.
Não adicionamos quem não quisesse ser adicionado, não nos associamos ao poder público, não fizemos promoções para conquistarmos adeptos de ocasião, nada disso. Deixamos as pessoas bem à vontade. Todos que desejarem participar dessa viagem serão sempre bem-vindos!
E, agora, vamos mais além! Queremos aproveitar esse novo espaço para divulgar notícias, projetos e outras ações - da sociedade civil, empresariais ou governamentais - em favor da Cultura em Marataízes e região. A "Memória Marataízes" quer ainda ser palco para discussões, publicações de artigos, ensaios e estudos em geral sobre nossa cidade e municípios vizinhos. Nossa ambição é, sim, suspirar por nossas memórias, alimentando a nossa nostalgia, mas também entender o nosso presente e realizar uma "amarração", com base nesse entendimento presente e nas boas referências do passado, buscando perspectivas sadias para o nosso futuro.
Esta casa é de todos!
Ousamos em nossa proposta compilar memórias. Esta é a intenção maior do projeto "Memória Marataízes", nascido de forma despretensiosa em março do ano passado em uma rede social: articular diferentes memórias, independentemente das motivações para sua existência, da época a que ela remete, das pessoas envolvidas, enfim, a preocupação é tão somente entender e desvendar impressões individuais e sociais que digam respeito a Marataízes.
E o que exatamente motivou o projeto? Para resumir, a carência. Em que pesem esforços no sentido de manter de pé parte do patrimônio material do município, especialmente no lugar em que a teima faz com que insistamos chamar de "sítio histórico" da Barra do Itapemirim (excetuando o Trapiche e o casario antigo, que merecem atenção), vemos se perder o lado imaterial, que se situa muitas das vezes no campo do intangível. Daí diagnosticamos a dita carência e a necessidade de oferecer, mínima que seja, uma contribuição para preservar parcela das memórias, mesmo sob a contínua ameaça do monstro da efemeridade que habita esses meios virtuais.
Não adicionamos quem não quisesse ser adicionado, não nos associamos ao poder público, não fizemos promoções para conquistarmos adeptos de ocasião, nada disso. Deixamos as pessoas bem à vontade. Todos que desejarem participar dessa viagem serão sempre bem-vindos!
E, agora, vamos mais além! Queremos aproveitar esse novo espaço para divulgar notícias, projetos e outras ações - da sociedade civil, empresariais ou governamentais - em favor da Cultura em Marataízes e região. A "Memória Marataízes" quer ainda ser palco para discussões, publicações de artigos, ensaios e estudos em geral sobre nossa cidade e municípios vizinhos. Nossa ambição é, sim, suspirar por nossas memórias, alimentando a nossa nostalgia, mas também entender o nosso presente e realizar uma "amarração", com base nesse entendimento presente e nas boas referências do passado, buscando perspectivas sadias para o nosso futuro.
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